quinta-feira, janeiro 01, 2004

Este foi um "livro" que comecei a escrever em 2004...


Loucos ou iluminados...


E tudo começa...

Acordei... pequenas gotas de água despertavam-me com um batimento constante e imparável... um monte de metal, inerte, bruto e inundado por corpos os quais pareciam nunca ter tido vida, era tudo completamente surreal que mais parecia um cenário de um filme de terror barato...

  - Está ai alguém? - Aproximava-se, lenta e tropegamente... - Por favor, alguém me responda...

Uma tentativa de resposta afigurou-se da minha boca, parecia mudo pelo cenário... por momentos havia deixado de viver, apenas sobrevivia.

  - Estou aqui... - primeiro um pequeno ressoar das minhas cordas vocais, mudo, inaudí­vel, o qual ecoou mais pela minha mente que exactamente pelo sitio que estava, onde quer que fosse... finalmente voltei a ter consciéncia de que estava vivo... - Estou aqui!... Estou aqui!!! - cada vez mais convicto e audí­vel.

  De repente surge uma cara familiar, fustigada pela violência do impacto e pelo choque do despertar, a Anabela nao parecia a Anabela que eu conhecia, as lágrimas lavavam-lhe a face suja e ensanguentada e confundiam-se com as gotas que parecia cair sem fim 'a vista.

* Nome: Anabela
* Idade: 18
* Visualmente: baixa, cabelo castanho, olhos castanhos

  Esta cara fez-me, também, despertar até ali tudo parecia um pesadelo, via agora naquele cenário a pura realidade... Tentei aperceber-me de como estava, fisicamente pelo menos, algumas escoriaçoes pelos braços eram o que podia ver. Tentei remover o que me parecia um banco que me impedia de me levantar e com a ajuda da Anabela consegui tira-la de cima de mim e finalmente levantar-me do chão, húmido mas quente e mole. Embora um pouco atordoado levantei-me, sentia algumas dores agudas nas costas e pernas...

  - Calma, estou aqui... - dizia tentando acalma-la ou talvez acalmar-me a mim mesmo... - Onde estão os outros?
  - Naa...Nãoo... Morr.. - embora ela não tivesse acabado a frase percebi o que estava a dizer... - Diz-me que nao estamos sozinhos...por favor!

Ao ouvir isto, por um instante perdi as forças e quase cai, ao mesmo tempo que me perguntei se estaria eu próprio a chorar, ou se era a chuva...

  Lentamente comecei a observar o que na altura chamei na minha cabeça de 'carcaça de metal'... Mas ao contrário do que estava à espera nao vi apenas um pedaço de metal, mas vários pedaços, torcidos e despedaçados que me pareciam negros, mas podia ser apenas a minha imaginação. No meio destes pedaços e por todo o lado um pouco via o que antes eram duas filas infindáveis de cadeiras que agora estavam espalhadas por todo o lado um pouco, junto com elas estavam vultos inertes molhados pela chuva, que comecei a reconhecer... percebia agora o choque dela...

- Calma, nós vamos achar os outros, tens de te acalmar, achas que estas em condiçoes de ver o Sérgio? - Tentava de uma forma estúpida, mas a única que me conseguia lembrar, acalma-la e po-la consciente e fora daquele estado de choque.

Por enquanto mantinha pensamentos claros, era vital ajudar os que haviam sobrevivido...

  - Anabela, vamos procurar o Sérgio!

Cada passo que davamos fazia ecoa um som arrepiante, *crack*, nada o pode descrever... Comecei a vislumbrar a alguns metros de nós o Sérgio que eu sabia que devia estar perto pois estava sentado ao lado da Anabela antes de tudo aquilo, logo ao seu lado estava o Ivo. Rapidamente fiz um gesto para a Anabela parar e aproximei-me deles para verificar os sinais vitais de ambos, estavam vivos... e também a despertar...

* Nome: Sérgio Sousa
* Idade: 18
* Visualmente: Alto, cabelo curto (com gel)

* Nome: Ivo Reis
* Idade: 17
* Apelido: Gorduxo
* Visualmente: Cabelo farfalhudo, estatura média.

  - Anabela ele está vivo, anda cá ajuda-lo enquanto eu tento tirar estes ferros de cima do Jorge.
  - Ivo, 'tas bem gorduxo, 'tas-me a ouvir? - perguntei eu.
  - Já 'tive pior, tira-me estes ferros de cima.... acho que tenho um braço partido - respondeu ele.

Vozes gélidas começaram-se a ouvir e rápidamente se impuseram sobre o forte bater das gotas de água no metal, na terra, e nas árvores muitas delas derrubadas à nossa volta. O meu estado de espí­rito oscilava entre o nervosismo e a confusão.

  - Como é que isto pode ter acontecido? Onde estao as cem pessoas que nos acompanhavam?! - perguntei eu inaudivelmente depois de ter ajudado o Ivo a por-se de pé, cuidadosamente de modo a não lhe tocar no braço.
  - Sérgio e tu tens algum... - dizia eu mas fui interrompido por um estridente...
  - Nãooooooooooooo.....

A voz vinha de trás de um dos montes de ferro bastante perto de nós, instantaneamente todos nós trocando um olhar dirigimo-nos ao que pensavamos ser o sitio de onde tinha originado aquele grito.